segunda-feira, janeiro 12, 2009

Dez eventos cruciais dos quadrinhos no cinema

Este final de semana estava lendo umas matérias antigas sobre o filme do Homem-de-Ferro e comecei a refletir sobre como as adaptações de quadrinhos evoluíram nos últimos anos, não apenas no caráter de produção (= dinheiro) quanto também na maturidade com que a coisa vêm sendo encarada. Daí para fazer uma lista superficial e desencalhar este blog mais superficial ainda foi um pulo.

Percebe-se que de alguns anos para cá as adaptações de quadrinhos ganharam um espaço especial na indústria do cinema, merecendo inclusive o respeito de vários profissionais conceituados. Na minha opinião isso se deve a uma série de eventos (e por "eventos" entenda-se cenas, atores e até mesmo filmes inteiros) que levaram a coisa toda a um patamar mais elevado, e são esses eventos que eu resolvi enumerar aqui. Lembrando que, como eu disse, essa é A MINHA OPINIÃO.

Número 10: A realização de Superman, O Filme (Superman/1978)
O primeiro filme de super-herói realmente bom, com um roteiro que embora não seja totalmente fiel aos quadrinhos (nem às leis da física), resguarda a essência do personagem. Um bom argumento que segura o espectador até o final e o faz se identificar com o protagonista, além de efeitos especiais excelentes para a época, fizeram de "Superman, O Filme" (eu adoro acrescentar esse "O Filme") um sucesso comercial; mesmo sendo lançado para o público infanto-juvenil, trazia consigo algumas estratégias para conquistar também os adultos, principalmente a seleção de atores como Marlon Brando, Gene Hackman e o próprio Christopher Reeve, que deixavam mais interessantes as piadas simples do texto.

Número 9: Os vilões de Superman II - A Aventura Continua (Superman II/1980)
Assim que você se recuperar deste subtítulo idiota do nome em português, lembre-se do impacto que este filme causou quando o assistiu ainda criança (supondo que meus leitores tenham pelo menos uns 25 anos). A idéia de usar vilões com os mesmos poderes e em maior número era a única maneira de proporcionar um perigo real para o herói, e para o público a quem se destinava era uma verdadeira obra-prima. Esse filme mostrou que era possível executar uma batalha envolvendo vários personagens poderosos. Não posso deixar de comentar o epílogo da história, quando o ainda politicamente incorreto Clark resolve se vingar do valentão no bar.

Número 8: A escolha de Tim Burton para dirigir Batman (Batman/1989) Muito tempo se passou sem que houvesse um novo bom filme de herói. A Marvel tentou com algumas pérolas, que não me cabe citar, mas não alcançou um décimo do êxito de Supeman. Então a Warner/DC, depois de deixar o Homem de Aço destruir a reputação dele com os terceiro e quarto filmes, resolveu apostar no defensor de Gotham, personagem com admiradores tão fanáticos quanto exigentes. Para a época, posso dizer que agradou, apesar do Michael Keaton. A escolha de Tim Burton deu uma caracterização toda especial à cidade e ao personagem e mostrou que podia haver inovação nos filmes de quadrinhos. Infelizmente, presenciamos outra vez a a maldição dos terceiro e quarto filmes.

Número 7: A aparição de Wolverine, em X-Men (X-Men/2000)
Não é preciso dizer mais nada. Confesso que quando soube do filme dos X-Men, pensei: "Vai dar merda. Isso era para ter sido feito no final dos anos 70, com o Jack Nicholson como Wolverine e o Jon Voight como Dentes-de-Sabre". Desconfiado, fui ao cinema sem expectativa nenhuma, inclusive assisti sem querer (uma amiga minha ia comprar os ingressos para "60 Segundos" e se enganou). Mas nos primeiros minutos de filme... taqueopariu. Hugh Jackman É o Wolverine. Mesmo sendo jovem, mesmo sendo alto, foda-se! Eu estou vendo o WOLVERINE no cinema! E com todos os maneirismos, a expressão corporal e as atitudes wolverinescas. Isso é a verdadeira magia do cinema, ver nossos ídolos em carne e osso. "O Ciclope é um babaca", "a Tempestade não tem atitude", foda-se de novo! Quem gosta do Ciclope? Eles acertaram no Wolverine, que é o único X-Men com "espírito". É o marco inaugural da segunda fase das adaptações de quadrinhos.

Número 6: As acrobacias do Homem-Aranha (Spider-Man/2002)
Já no embalo de X-Men, eu só tinha uma dúvida com relação ao Homem-Aranha: como tornar verossímeis aqueles saltos e peripécias que fazem a alma do amigo da vizinhança? Com computação gráfica, meu filho! Se em X-Men ela foi usada pouco devidos à restrições orçamentárias impostas pela Fox (que não acreditava no projeto), em Homem-Aranha a Columbia não poupou grana e a equipe manteve os efeitos visuais no balanço correto, sem faltar nem sobrar.

Número 5: A estética de Sin City (Sin City/2005)
Sin City merece ser lembrado por duas coisas: a primeira é por mostrar ao grande público que existem quadrinhos adultos e sem super-heróis, e a segunda, mais importante, é que cinema é imagem. Robert Rodriguez e seu piolho Frank Miller utilizam com destreza uma fotografia preto-e-branco de alto contraste, com algumas inserções de cores, e reflete da forma fiel o clima noir moderno criado pelo autor nas graphic novels. A história é ótima, mas a película faz a diferença por causa do visual.

Número 4: A cena pós-créditos em Homem de Ferro (Iron Man/2008)
Esse para mim é o quarto momento mais importante desta lista. Se você não assistiu o filme, cai fora porque é spoiler. Na cena final, quando Samuel L. Jackson aparece como Nick Fury (só isso já é fantástico), ele trava diálogo com um desconfiado Tony Stark e, com sua frase final, encerra a segunda fase da nossa lista: "Estou aqui para lhe falar sobre o projeto Vingadores." Taqueopariu. Se concretizada, essa idéia pressupõe a transposição de todo um universo para o cinema, já que nunca antes houve interação entre as diversas adaptações (o filme da Elektra não conta, até porque não tem nada a ver com o do Demolidor). A conexão entre vários personagens abre um vasto campo para roteiristas e diretores explorarem (e eventualmente cagarem) toda uma realidade que até hoje só foi explorada (e freqüentemente cagada) nas revistas.

Número 3: O primeiro trailer de Watchmen (Watchmen/2009)
Assisti este trailer descompromissadamente em um site e a única coisa que me veio à cabeça quando terminou foi um "puta merda". Foi possivelmente o melhor que eu já vi na vida. A iluminação, a música, as cenas selecionadas, tudo muito bem encaixado e juro que quando percebi que aquelas peças voando eram a montagem da Fortaleza de Marte quase chorei. Quem leu a história e aguardou com ansiedade a versão cinematográfica deve ter sentido a mesma coisa. Ao todo, já vi umas trinta vezes. E, quando vi a primeira vez, ainda teve o mérito de me preparar para o próximo item da lista, que eu iria ver naquele mesmo dia.

Número 2:
O conceito por trás de O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight/2008)
Christopher Nolan já tinha dado a dica em Batman Begins, mas somente em O Cavaleiro das Trevas foi possível tornar tão real uma história envolvendo um chamado "super-herói". A história é toda fundamentada na nossa realidade, com cidades de verdade e justificativas plausíveis para as ações dos personagens. Isso não é possível em um personagem com superpoderes, mas para o Batman é perfeito. Claro que um cara usando fantasia de morcego é ridículo, e por isso Batman Begins não está na lista, mas n'O Cavaleiro das Trevas isso é desprezível. A realização foi tão boa e o roteiro tão enxuto e bem amarrado que não é difícil de acreditar na existência de um milionário maluco do caralho. Aqui tem início a terceira fase da lista: onde acaba o filme de quadrinhos e começa o cinema.

Número 1: O Coringa de Heath Ledger
Alguém deve estar se perguntando porque não incluí isso no item anterior, mas não dava. O Coringa deste filme é um evento por si só. Nunca ninguém emprestou tanta credibilidade a um personagem de quadrinhos, e olhe que já tivemos Robert Downey Jr. como Tony Stark. Heath Ledger emocionou qualquer um que já leu uma história do Batman, não porque incorporou o personagem, mas sim porque o transcendeu. Ninguém, em mídia alguma, captou tão bem o conceito que permeia o Coringa - nem Frank Miller. Ele é uma entidade, não é uma pessoa. É o rosto do caos, sem passado, sem background, completamente injustificável, porque contar sua origem é matar a imprevisibilidade. Eu sei que os roteiristas do filme têm muito crédito na concepção do personagem, mas o fato é que se ele não fosse convertido em realidade, se o espectador não visse o filme e pensasse que aquele psicopata podia perfeitamente estar no Jornal Nacional e não no cinema, sem isso tudo seria em vão. Eu só não temo a ação desta interpretação sobre as mentes mais influenciáveis porque até elas sabem que ser Coringa não é para os fracos.

P.S.: No final das contas a lista, que era para ser somente em ordem cronológica, acabou ficando em ordem de importância também. Acho que é porque cresci assistindo a esses filmes e a cada momento citado vivi na pele a sensação de ficar mais exigente. Esse bost foi meio piegas, mas acreditem, os quadrinhos realmente tiveram papel fundamental na minha formação e por isso dou tanto valor a eles.

Atualização: Editei este post só para acrescentar que o filme do Watchmen se revelou uma merda foda. Grato, sem mais para o momento.

5 comentários:

marianajf disse...

Realmente o Coringa ganhou vida. Quero ver se alguém vai OUSAR TENTAR interpretá-lo algum dia...

JuKiara disse...

Eles VÃO ousar, Marina..

É só questão de tempo!

...infelizmente...

Telle Monteiro disse...

Poxa, teu blog me rendeu vááááááááárias risadas. Calma, não tou te chamando de palhaço não!! É que além de concordar com muita coisa aí, eu gosto do teu jeito de escrever. Cadê???? Cadê???? Parou??
bj

Martin Juan Sarracena disse...

Concordo com as suas colocações.
Faltou acrescentar os erros dos primeiros que ousaram filmar quadrinhos de super-heróis:
Exemplo:
No Batman com Michel Keaton o Coringa morre.
comentário:
Não se mata um vilão perfeito.
Os cineastas têm essa mania.
Essa é minha opinião, e veja que coleciono quadrinhos há mais de 50 anos.

Anônimo disse...

Oii volta a escrever! TAVA BOM!!!
Estou fazendo arquitetura e tbm cai de paraquedas! haha legal saber que não sou a única! :)